FDA alerta para tecnologia de Radiofrequência Microagulhada: o que muda no futuro da medicina estética?
- Dra Vera Matos

- 2 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
A Food and Drug Administration (FDA) publicou recentemente um alerta sobre o aumento de complicações associadas à radiofrequência microagulhada, uma tecnologia amplamente utilizada em medicina estética para rejuvenescimento, melhoria de textura da pele e tratamento de cicatrizes.
O aviso surge após um número crescente de notificações de efeitos adversos nos EUA, incluindo cicatrizes hipertróficas, queimaduras, infeções, pigmentação irregular e perda de gordura subcutânea.
Este alerta levanta uma questão importante: O que muda no futuro da medicina estética e na forma como escolhemos tecnologias para tratar o rosto e corpo dos nossos pacientes?
Neste artigo, partilho uma análise técnica clara, baseada em evidência e na sua experiência clínica, abordando riscos, prevenção e a direção futura da medicina estética.
Porque é que a FDA emitiu este alerta?
A FDA recebeu relatos crescentes de complicações após radiofrequência microagulhada, incluindo:
queimaduras profundas e necrose térmica;
cicatrizes hipertróficas;
infeções bacterianas e por micobactérias;
hiperpigmentação pós-inflamatória (PIH) persistente;
agravamento de melasma;
irregularidades dérmicas;
perda de gordura subcutânea.
Grande parte dos casos esteve associada a:
uso de dispositivos não homologados;
manipulação por profissionais não qualificados;
parâmetros demasiado elevados;
sobreposição excessiva de passes;
aplicação em áreas anatómicas delicadas sem conhecimento profundo de profundidade e impedância da pele.
O alerta não descredibiliza a tecnologia - mas chama atenção para a necessidade de maior rigor, formação e seleção criteriosa de pacientes e parâmetros.
Complicações mais frequentes: como identificar e agir
Complicações infeciosas
Causas: má assepsia, dispositivos contaminados, uso em pele inflamada.
Sinais precoces: eritema persistente, dor crescente, pústulas, calor local.
Conduta: antibióticos, drenagem conforme necessário, suspeitar microbactérias quando há placas infiltradas.
Prevenção: protocolo de assepsia rigoroso, evitar combinar com peelings/laser no mesmo dia, triagem clínica detalhada.
Queimaduras e Necrose térmica
Causas: energia demasiado elevada, profundidade inadequada, passes repetidos.
Sinais: dor intensa, escurecimento tecidular, bolhas.
Conduta: cuidados de queimadura, corticoterapia tópica, laser regenerativo em fase tardia.
Prevenção: formação específica no dispositivo, ajuste de energia ao fototipo, evitar pele bronzeada.
Pigmentação irregular e PIH
Causas: inflamação excessiva, sobretratamento, fototipo alto.
Conduta: despigmentantes, fotoproteção rigorosa, tecnologias suaves para regeneração (BBL®).
Prevenção: evitar em melasma ativo e em bronzeado recente; reduzir energia em fototipos IV-VI.
Edema persistente e fibrose
Causas: destruição térmica excessiva, profundidade inadequada das microagulhas.
Conduta: deflazacort ciclo curto, drenagem, laser regenerativo em fase tardia.
Prevenção: evitar áreas com preenchimentos recentes, respeitar parâmetros anatómicos.
O risco mais debatido hoje: perda de gordura subcutânea
A destruição térmica da gordura facial tem sido um dos efeitos mais preocupantes e, para muitos especialistas, subestimado até agora. O alerta da FDA trouxe esta discussão para o centro.
A radiofrequência microagulhada pode atingir planos profundos e provocar coagulação e retração da gordura subcutânea, principalmente quando usada com energia alta ou em múltiplos passes.
No rosto, isto pode levar a:
hollowing;
perda de definição;
envelhecimento precoce;
irregularidades de superfície;
assimetrias.
Opinião: “No rosto, o futuro é regenerar, não destruir.”
Vejo utilidade clínica da radiofrequência microagulhada no corpo, mas no rosto prefiro tecnologias regenerativas cujo comportamento térmico e profundidade são altamente controlados - como lasers e luz pulsada.
O rosto exige precisão milimétrica e respeito pelas estruturas profundas. Qualquer tecnologia que possa destruir gordura subcutânea deve ser usada com extrema cautela.
Sobre dispositivos como Morpheus8® e semelhantes, o problema não é a tecnologia, mas sim a indicação. No corpo, a coagulação de gordura pode ser interessante. No rosto, pelo contrário, a gordura é essencial para a juventude e harmonia facial. Perder gordura onde não queremos pode envelhecer um paciente vários anos em poucas semanas.
Destaco ainda que:
muitos casos de hollowing facial após radiofrequência microagulhada aparecem meses após o tratamento;
a reversão é difícil e muitas vezes exige preenchedores ou biotecnologias regenerativas;
é preferível investir em tecnologias não destrutivas, com resultados progressivos e mais seguros.
Acredito que o futuro da medicina estética será dominado por tecnologias regenerativas, não ablativas e não destrutivas. Menos risco profundo, mais previsibilidade. Menos agressão, mais qualidade tecidular.
Que tecnologias ganham força no futuro?
Com o alerta da FDA, a tendência é clara:
Controláveis, previsíveis e com excelente relação segurança–resultado. Com resultados comprovados na regeneração celular através de estudos científicos. Existe uma modificação da expressão génica dos queratinócitos expostos à luz pulsada e a energia laser que faz com que eles se comportem de maneira mais jovem e saudável.
2. Endolift®
A escolha do Instituto Face Mi quando queremos destruir gordura facial localizada, por exemplo, na papada ou no jowl (bochecha de bulldog). Energia fototérmica profundamente controlada, com destruição precisa da gordura localizada completamente controlada devido à posição do laser in situ sem passar pela pele nem pelo subcutâneo superficial. Um laser com:
alta reestruturação dérmica;
melhoria da drenagem;
definição suave;
recuperação de fibroses pós-complicações;
capaz de resolução de complicações após preenchimentos.
3. Protocolos híbridos inteligentes
Combinando estímulos leves e regenerativos, evitando agressões excessivas, uso de lasers não ablativos e bioestimuladores de última geração.
O que muda para médicos e pacientes?
Seleção criteriosa da tecnologia para cada indicação.
Formação específica do médico para cada dispositivo - não é tudo igual.
Maior atenção aos sinais precoces de complicações.
Escolha de tecnologias com perfil de segurança mais previsível.
Prioridade à preservação de estruturas profundas, nomeadamente gordura facial.
Medicina estética orientada para naturalidade, regeneração e longevidade.
A estética não se trata de esculpir agressivamente, mas de equilibrar, preservar e regenerar.








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