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Ultrassom em peles jovens: quando o medo da flacidez se antecipa à Medicina

Na Medicina Estética, há uma linha muito fina entre prevenção e intervenção precoce sem justificação clínica. Com a crescente mediatização dos tratamentos faciais, assistimos ao surgimento de tendências e tecnologias que, embora apresentadas como “cuidados precoces”, levantam sérias questões éticas e fisiológicas. 


Uma delas é o uso de tecnologias de ultrassom microfocado ou radiofrequência em pacientes jovens, sem sinais de flacidez para “efeitos preventivos” do envelhecimento. Será mesmo necessário ou estamos a ultrapassar o ponto onde a tecnologia serve o negócio e deixa de servir o paciente? 


A resposta exige mais do que opinião. Exige ciência, consciência e responsabilidade médica. É esse o olhar que trago neste artigo.


Ultrassom em peles jovens:  quando o medo da flacidez se antecipa à Medicina
Ultrassom em peles jovens: quando o medo da flacidez se antecipa à Medicina

Como atua o ultrassom microfocado?

O ultrassom microfocado é uma tecnologia de energia focada que atua nas camadas profundas da pele, especialmente na camada fibromuscular (SMAS) e gordura subcutânea, promovendo um efeito de “lifting sem cirurgia”. O aparelho emite ondas de ultrassom que se concentram em pontos específicos, gerando calor localizado. Esse calor atinge camadas profundas (derme, tecido adiposo e até fáscia muscular superficial), provocando microlesões térmicas controladas.

O organismo reage a essas lesões ativando a produção de colágeno e acelerando o metabolismo local das células de gordura.

É uma técnica válida, com eficácia comprovada em casos de flacidez ligeira a moderada, sobretudo em pacientes a partir dos 38-40 anos. A sua aplicação requer formação adequada, avaliação médica prévia e, especialmente, indicação clínica.



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O problema dos tratamentos preventivos - a antecipação: o que está a acontecer?

Com o aumento da visibilidade desta tecnologia nas redes sociais, multiplicam-se conteúdos que promovem o ultrassom como forma de “prevenir a flacidez”, mesmo em peles sem qualquer sinal de laxidão

Esta banalização do tratamento (muitas vezes feita fora do contexto médico) ignora completamente a fisiologia da pele jovem e os potenciais efeitos adversos do uso desnecessário da energia térmica em tecidos saudáveis.

Não é por uma tecnologia estar disponível que deve ser aplicada. Não há benefício em estimular tecidos estruturalmente íntegros. Pelo contrário, há risco.

Riscos de usar ultrassom em peles jovens

Quando o ultrassom é aplicado sem critério, sobretudo em peles que não apresentam flacidez, pode haver:

  • Redução não intencional do volume facial, devido à destruição de compartimentos de gordura superficial;

  • Atrofia tecidual progressiva, especialmente em rostos com pouca reserva adiposa;

  • Rigidez muscular indesejada, com alteração da mímica facial;

  • Resultados estéticos inversos, com aspeto mais envelhecido ou emagrecido.

Além disso, ao repetir estes estímulos sem indicação, arriscamos comprometer a resposta futura da pele a tratamentos realmente necessários.

Juventude não é sinal de intervenção

A pele jovem já possui uma arquitetura equilibrada de colagénio, elastina, ácido hialurónico e gordura subcutânea. O que ela precisa não é de remodelação, mas de preservação: proteção solar, regulação hormonal, nutrição anti-inflamatória, apoio antioxidante, sono reparador.

A obsessão em “tratar antes do tempo” não acelera resultados, mas acelera desequilíbrios. Antecipar estímulos que o corpo ainda não precisa não é prevenção, é intervenção prematura.



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Opinião Médica da Dra. Vera Matos

Acredito profundamente no poder transformador da Medicina Estética quando é usada com critério. 

O que me preocupa é quando ferramentas terapêuticas são transformadas em produtos de consumo, descontextualizadas da biologia e da ciência que as sustentam.

Se a sua pele é jovem, firme e saudável, não precisa de ultrassom. Precisa de orientação médica, de escuta atenta e de um plano de cuidados progressivo, construído com base no que a sua pele é e não no que teme que ela venha a ser.


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Dra. Vera Matos

Medicina Estética

e Cirurgia Estética Facial

Locais de Atuação

Diretora Clínica e Médica de Medicina Estética Facial, no Instituto Médico da Face (Braga)

Rua Prof Dr Carlos Lloyd 17, 4715-319 Braga


face-mi.pt

Tel: +351 913 553 361

e-mail: geral@face-mi.com

Diretora Clínica e Médica de Medicina Estética Facial, no Instituto Médico da Face (Porto)

R. Dr. Emílio Peres 47,

4050-007 Porto


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Tel: +351 962 507 903

e-mail: geral@face-mi.com

Docente Universitária, no CESPU - Instituto Politécnico de Saúde do Norte

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