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Complicações com Ácido Hialurónico: o que acontece quando se exagera

Vivemos na era do "mais". Mais volume, mais contorno, mais projeção. A pressão estética - seja vinda das redes sociais, de modelos idealizados ou até de expectativas pessoais mal calibradas. A fronteira entre o que é medicina e o que é apenas estética está a ficar cada vez mais difusa. 

O que começou como uma técnica regenerativa para restaurar volume e harmonia facial, tornou-se, em muitos casos, um instrumento de exagero e, mais grave ainda, de dano.

Não estou a falar de opiniões estéticas. Estou a falar de casos clínicos reais. Casos que recebo em consulta, com pacientes emocionalmente fragilizados e fisicamente marcados, que confiaram nas mãos erradas.


Complicações com Ácido Hialurónico:  o que acontece quando se exagera
Complicações com Ácido Hialurónico: o que acontece quando se exagera

Quando o preenchimento se transforma em distorção

Os preenchedores, especialmente os à base de ácido hialurónico, são ferramentas extraordinárias quando usadas com critério clínico. Permitem devolver estrutura, suavizar marcas do tempo e equilibrar proporções, tudo isto com segurança, previsibilidade e, quando necessário, reversibilidade.

Mas nos últimos anos, temos assistido a uma tendência preocupante: o uso desenfreado de produto, sem avaliação médica, sem plano, sem limites

O que era regenerativo tornou-se inflacionado. O que era subtil tornou-se caricatural. E com isso, surgem as complicações.

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O caso clínico da paciente Ana Marinho

Uma paciente minha, a Ana Marinho, chegou ao Instituto Face Mi com complicações severas nos lábios após ter sido submetida a múltiplos procedimentos de preenchimento labial, realizados por uma pessoa sem qualificação médica.

No exame clínico, observava-se:

  • Assimetria acentuada do vermelhão labial;

  • Nódulos palpáveis e visíveis, com mobilidade reduzida;

  • Rigidez tecidual, com comprometimento da mímica labial;

  • Relato de dor persistente e sensação de tensão na zona tratada.

O tratamento envolveu:

  • Avaliação do tipo de produto utilizado (presumivelmente ácido hialurónico);

  • Sessões de hialuronidase para tentativa de reversão controlada;

  • Acompanhamento inflamatório e vascular;

  • Recurso a Endolift para destruição de biofilm e resolução da infeção assim como fotomodulação do tecido afetado

Este caso evidencia os riscos clínicos associados à realização de procedimentos estéticos invasivos por indivíduos sem formação médica, nomeadamente a ausência de diagnóstico prévio, falta de plano terapêutico e desconhecimento anatómico.

Complicações comuns em preenchimentos mal executados

Estes são apenas alguns dos problemas que surgem quando se ultrapassa o ponto de equilíbrio:

  • Assimetrias faciais visíveis, causadas por excesso de produto ou má técnica;

  • Nódulos subcutâneos e fibroses, que muitas vezes requerem intervenção com hialuronidase ou laser;

  • Edema malar crónico, um inchaço persistente sob os olhos que distorce o terço médio do rosto;

  • Inflamações recorrentes, causadas por biofilmes bacterianos invisíveis a olho nu;

  • Rigidez e perda de mobilidade, especialmente em zonas de expressão como os lábios e o queixo;

  • Alterações da identidade facial, com impacto direto na autoestima e na perceção de si.

E o mais grave: em muitos destes casos, o paciente não tem plena consciência da transformação negativa, a não ser quando o quadro é agravado.

Corrigir é sempre mais difícil

Tratar uma complicação estética é, muitas vezes, mais complexo do que fazer o procedimento inicial. Requer tempo, experiência e, sobretudo, paciência. Em alguns casos, envolve dissolver produto. Noutros, é necessário recorrer a tecnologias como o Endolift, para romper fibroses e regenerar tecido.

Mas há algo que nenhuma tecnologia pode fazer: apagar a memória emocional do que correu mal.

É por isso que, enquanto médica, insisto sempre numa abordagem fundamentada, personalizada e - acima de tudo - com limites. Porque nem tudo o que é tecnicamente possível é clinicamente aceitável.

Porque é que isto continua a acontecer?

Porque vivemos num ambiente onde o “mais” vende. Mais volume, mais definição, mais alteração. Porque muitos profissionais não médicos continuam a aplicar substâncias sem o mínimo entendimento anatómico. Porque se promovem pacotes e promoções de seringa, como se o rosto fosse um produto de consumo.

E porque a Medicina Estética, ao sair das mãos dos médicos, perde o seu critério clínico e torna-se apenas estética.

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Opinião Médica da Dra. Vera Matos

As complicações em Medicina Estética são raras mas quando surgem são capazes de consequências imprevisíveis e permanentes. Se há uma responsabilidade que não abdico enquanto médica é a de proteger o paciente de resultados que não poderá apagar


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Dra. Vera Matos

Medicina Estética

e Cirurgia Estética Facial

Locais de Atuação

Diretora Clínica e Médica de Medicina Estética Facial, no Instituto Médico da Face (Braga)

Rua Prof Dr Carlos Lloyd 17, 4715-319 Braga


face-mi.pt

Tel: +351 913 553 361

e-mail: geral@face-mi.com

Diretora Clínica e Médica de Medicina Estética Facial, no Instituto Médico da Face (Porto)

R. Dr. Emílio Peres 47,

4050-007 Porto


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Docente Universitária, no CESPU - Instituto Politécnico de Saúde do Norte

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