Laser CO₂: o melhor do mercado ou apenas o mais falado?
- Dra Vera Matos

- 22 de set. de 2025
- 3 min de leitura
O Laser CO₂ fracionado é, sem dúvida, uma das tecnologias mais conhecidas quando falamos em resurfacing facial. Ao longo dos anos, ganhou a reputação de ser “o padrão ouro” no tratamento de rugas, cicatrizes de acne e envelhecimento cutâneo.
Mas será que continua a ser, de facto, a melhor opção para todos os casos? Ou estamos a confundir notoriedade com antiguidade?
Como médica, defendo que o que interessa não é o que está na moda - é o que faz sentido para a pele e no momento de vida de cada paciente. E por isso, vale a pena analisar esta questão com mais profundidade.

O que faz o Laser CO₂ e porque é tão conhecido?
O Laser CO₂ é um laser ablativo que atua na epiderme e derme superficial, vaporizando camadas da pele com alta precisão. Através deste processo, estimula a renovação celular, a produção de colagénio e a reestruturação da pele, sendo indicado para:
Rugas profundas e finas;
Cicatrizes de acne ou cirúrgicas;
Textura irregular;
Manchas e envelhecimento solar.
É eficaz? Sim, é. Mas é também uma tecnologia com nível de agressividade elevado, que exige um tempo de recuperação prolongado (7 a 15 dias), cuidados pós-tratamento rigorosos e um risco real de efeitos adversos, como:
Hiperpigmentação pós-inflamatória;
Hipopigmentação permanente;
Risco aumentado em fototipos mais elevados.
A melhor tecnologia para todos? Nem sempre.
O que mais me preocupa enquanto médica é ver pacientes a pedirem "o CO₂" simplesmente porque “ouviram dizer que é o melhor”. A verdade é que nenhuma tecnologia é a melhor para todos os tipos de pele, todas têm limitações — e a decisão deve ser sempre clínica, e não popular.
Para peles sensíveis, com tendência à inflamação, pacientes com fototipos elevados e tendência para hiperpigmentação, melasma ou pacientes que não podem parar a vida durante 15 dias, o laser CO₂ pode ser demasiado agressivo. Nestes casos, existem alternativas muito válidas, que oferecem excelentes resultados com menos riscos e menos downtime.
Que alternativas existem ao CO₂?
Há várias. E são cada vez mais inteligentes, híbridas e seguras.
1. Laser Erbium (Er:YAG)
Tem um perfil de ação semelhante ao CO₂ (ablativo), mas atua de forma mais controlada e com menor agressividade térmica, o que reduz o tempo de recuperação e o risco de hiperpigmentação. É ideal para:
Fototipos médios a altos;
Melasma e tendência para hiperpigmentação pós inflamatória
Rejuvenescimento progressivo, com menos interrupção da rotina.
2. Laser Halo® (Sciton)
É um laser híbrido, que combina laser ablativo erbium e não ablativo diodo no mesmo disparo. Atua em várias camadas da pele, com personalização de profundidade, densidade e intensidade.
Melhora textura, luminosidade, poros e firmeza;
Recuperação entre 3 a 5 dias;
Seguro em todos os fototipos;
Permite construir resultados progressivos ou intensos, conforme o plano terapêutico.
3. O BBL® (Sciton)
Embora não seja um laser ablativo, mas sim uma luz pulsada de alta intensidade, é uma excelente alternativa para casos de envelhecimento precoce, lentigos, rosácea e perda de luminosidade, com recuperação praticamente imediata e estimulação contínua da regeneração celular.
O mais importante: o critério médico
A pergunta que devemos fazer não é “qual é o melhor laser?”, mas sim: “Qual é o melhor tratamento para esta pele, neste momento?”
Há peles que vão beneficiar do CO₂, sim. Mas há muitas outras que vão beneficiar mais de um protocolo combinado, com diferentes tecnologias ao longo do tempo. A avaliação médica é o que transforma tecnologia em tratamento eficaz.
Opinião Médica da Dra. Vera Matos
O Laser CO₂ é uma ferramenta valiosa, mas não é uma solução universal. A Medicina Estética não se faz com atalhos nem com automatismos. Faz-se com conhecimento técnico, experiência e sensibilidade clínica.
Quando me perguntam “qual é o melhor laser?”, a minha resposta é sempre a mesma: o melhor é o que respeita a sua pele, a sua história e o seu tempo.


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